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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Limitação dos olhos


                                                                                                                           D.M.Bontorin
                                                                                                          para Rafaela T.

Nós, em toda nossa limitação, tentamos enquadrar as cores, as pessoas, em determinados grupos. Esses grupos podem ser restritos: os verdes, os vermelhos, os amarelos. Ou ainda, podem ser grupos maiores: cores frias, cores quentes, tons terrosos, claras, escuras, etc. 
Suprimisse ao máximo qualquer capacidade de individualidade, de unidade, de ser não um azul mas um azul cerúleo. 
O que mais atormenta minha alma é ter consciência dessa predisposição  a classificar as cores, as pessoas, e mesmo assim não ser capaz de não o fazer. 
Controlo-me ao máximo, faço analise do meu próprio comportamento e no fim estou discriminando, dizendo que um laranjado nunca será puro pois ele não é um vermelho e nem um amarelo. Demora um tempo até eu perceber o que estou fazendo, até eu parar e perceber: "ele simplesmente o laranjado, ele não tem que ser nem tão vivo como o vermelho, nem tão intenso como o amarelo e se eu chegar mais perto perceberei que mesmo se eu o comparar aos outros laranjados ele ainda será diferente, será único. Comparações são desnecessárias".
Aceito esse fato, aceito o laranjado, mas quando viro os olhos me deparo com o lilas, "que cor mais imprópria, não decide quem quer ser: é uma cor fria ou uma cor quente? como é que eu vou saber. Acho melhor deixa-la de lado e usar o bom e velho laranjado."

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Breve Despedida


Querido companheiro que gasta seu tempo ao ler essa carta,

Hoje tive um dia agradável, acordei, fui à escola, almocei, estudei, ri, brinquei e fui fazer minhas tarefas. Porém agora tomo consciência de que irei morrer devido ter adquirido uma doença mortalmente comum, após minha minha irmã comer uma pipoca que caiu. Exatamente isso que você acaba de ler. Uma pipoca, tirada do chão da sala. A doença da qual eu fui acometida: civilidade.
Adeus,
Aquela que jaz enterrada no comum.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

QUEM SOFRE?


     Somos induzidos a chorar pelos males que sofremos, ou aqueles que as pessoas que conhecemos sofrem. Somos induzidos a chorar as lagrimas do mocinho e odiar o vilão que o fez sofrer. Mas e quando o herói e o vilão se misturam em um só, quando o filme traz os dois lados da história e você passa a ver através dos olhos do outro, quem deve sofrer?
     Talvez você nunca se tenha feito essa pergunta, nunca tenha assistido a um filme, lido um livro ou tenha presenciado qualquer situação em que os dois lados se apresentem. Não se culpe.Você não é o único.
     Mesmo aqueles que já presenciaram os dois lados de uma história, que já sentiram a dor do vilão, que já viram escorrer as lágrimas de seu inimigo e se perguntaram pelo que ele estava chorando, podem nunca terem visto os dois lados da história.
     Acho que faz parte de nossa essência quanto ser. Escolher um lado para o qual brandir nossas espadas. Mesmo que no meio da batalha mudemos de posição e o antes inimigo torne-se aliado, mesmo até então estando ao lado do outro e sabendo os motivos pelos quais lutavam e a razão pela qual derramavam suas lágrimas, mesmo assim, você não sentira pena. Não abaixará sua espada. Apenas usará as informações que conseguiu durante sua estada no lado inimigo para ajudar seu lado, o lado correto, a atingir a vitória.
     Mas, o que ocorreria se não tivesse que lutar? Se você fosse apenas um espectador, um leitor, deus? Se pudesse virar as páginas e ver os atos dos dois lados, suas lágrimas, seus erros, o que eles tem de melhor e de pior, o que você faria? O que faríamos? Escolheríamos um lado ou esperaríamos que ambos esquecessem tudo que ocorreu e perdoassem um ao outro? Que esquecessem os companheiros mortos em batalha, a traição, as palavras rudes, todo o sofrimento causado durante todo o filme, todo o livro, durante toda a história da humanidade e apenas apertassem as mãos dizendo que a historia começaria a partir de então com todos os males esquecidos, enterrados no passado?
     Provavelmente se a historia terminasse assim reclamaríamos e diríamos que a historia era boa, mas o final deixou a desejar. Pois ninguém perdoa tão fácil, ninguém é tão bom a ponto de esquecer. Mas o autor defenderia sua obra dizendo que nós conhecemos os dois lados, nós gostamos dos dois personagens, então nós deveríamos ficar felizes que ambos terminem a história com vida. Ao que responderíamos que sim nós conhecemos os dois lados, e sim, nós gostamos dos dois personagens, mas eles não os conhecem e na vida real nós também não conhecemos e nunca vamos conhecer os dois lados da história. Por isso queremos ver o mocinho vencer, mesmo que não seja o nosso mocinho. E por essa razão sempre haverá guerras, sempre haverá aquele que diz que se o outro não seguir sua fé ira para o inferno, sempre haverá desigualdade, dor. Espere. Sempre é uma palavra deveras forte, talvez fosse melhor eu substituí-la por: enquanto o ser humano habitar a terra.